8 de fevereiro de 2010

AIDS

A aids é uma doença emergente, que representa um dos maiores problemas de saúde da atualidade em virtude de seu caráter pandêmico e gravidade. Os infectados pelo HIV evoluem para grave disfunção do sistema imunológico, à medida que vão sendo destruídos os linfócitos T CD4+, uma das principais células-alvo do vírus. A contagem de linfócitos T CD4+ é importante marcador dessa imunodeficiência, sendo utilizada tanto na avaliação do tratamento e prognóstico quanto em uma das definições de caso de aids, com fim epidemiológico.
A história natural da aids vem sendo alterada, consideravelmente, pela terapia anti-retroviral (ARV) que retarda a evolução da infecção, até o seu estádio final, em que surgem as manifestações definidoras de aids. Juntamente com as campanhas de prevenção, os ARV parecem estar contribuindo para a estabilização do crescimento da epidemia de aids no Brasil.
A transmissão vertical, uma das prioridades do Programa Nacional de DST e Aids (PN-DST/Aids), também vem sendo reduzida com a instituição do tratamento/quimioprofilaxia da gestante/parturiente e criança exposta, que além da quimioprofi laxia com o AZT será alimentada desde o nascimento com fórmula infantil.

Sinonímia: Sida, aids, doença causada pelo HIV, síndrome da imunodeficiência adquirida.

Agentes etiológicos: HIV-1 e HIV-2, retrovírus com genoma RNA, da família Lentiviridae. Pertencem ao grupo dos retrovírus citopáticos e não-oncogênicos, necessitando, para multiplicar-se, de uma enzima denominada transcriptase reversa, responsável pela transcrição do RNA viral para uma cópia DNA, que pode então integrar-se ao genoma do hospedeiro. Bastante hábeis no meio externo, estes vírus são inativados por uma variedade de agentes físicos (calor) e químicos (hipoclorito de sódio, glutaraldeído). Em condições experimentais controladas, as partículas virais intracelulares parecem sobreviver no meio externo por até no máximo um dia, enquanto que partículas virais livres podem sobreviver por 15 dias em temperatura ambiente, ou até 11 dias a 37ºC.

Reservatório: O homem.

Modo de transmissão e transmissibilidade: O HIV pode ser transmitido pelo sangue (via parenteral e vertical), esperma, secreção vaginal (via sexual) e leite materno (via vertical). O indivíduo infectado pode transmitir o HIV durante todas as fases da infecção, principalmente na infecção aguda e doença
avançada. Além dos estádios clínicos acima mencionados os processos infecciosos e inflamatórios favorecem a transmissão do HIV, em primeiro lugar, a presença das doenças sexualmente transmissíveis – DST. Durante a gestação há maior concentração do HIV no fl uido cérvico-vaginal, o que potencialmente aumenta o risco de transmissão sexual desse vírus.

Outros fatores de risco associados aos mecanismos de transmissão do HIV são: relações sexuais desprotegidas, durante o período menstrual ou que ocasionam sangramento, e sexo anal desprotegido, utilização de sangue ou seus derivados, não testados ou tratados inadequadamente; e recepção de órgãos ou sêmen de doadores não triados e testados, reutilização de seringas e agulhas – o compartilhamento de agulhas e seringas entre os usuários de drogas. Transmissão ocasionada por acidente com material biológico, sem a utilização de equipamentos de proteção individual (EPI) – durante a manipulação com instrumentos perfurocortantes contaminados com sangue e secreções de pacientes portadores do HIV, por profissionais da área da saúde.

Período de incubação: O tempo entre a exposição ao HIV e o aparecimento dos sintomas na fase aguda é de cinco a 30 dias. O período de latência clínica, após a infecção aguda e até o desenvolvimento da imunodeficiência é longo. Não há consenso sobre o conceito desse período em aids.

Matriz de risco e vulnerabilidade: ocorrência freqüente de comportamento de risco e alta vulnerabilidade: presidiários, usuários de drogas injetáveis, profissionais do sexo, caminhoneiros e garimpeiros.
Ocorrência freqüente de comportamento de risco e vulnerabilidade variável, segundo o grupo considerado: homo/bissexuais masculinos.
Ocorrência variável de comportamento de risco segundo o grupo considerado, mas alta vulnerabilidade: crianças e adolescentes, mulheres, índios, segmentos populacionais de baixa renda, efetivos militares e conscritos das Forças Armadas.

Manifestações clínicas:
Infecção aguda – esta fase da doença é também chamada de síndrome da infecção retroviral aguda ou infecção primária, manifestando-se clinicamente em cerca de 50% a 90% dos pacientes. A infecção aguda caracteriza-se tanto por viremia elevada quanto por resposta imune intensa e rápida queda na contagem de linfócitos T CD4+ de caráter transitório. Existem evidências de que, nessa fase de infecção, a imunidade celular desempenha papel fundamental no controle da viremia pelo HIV.


Fase assintomática: a infecção precoce pelo HIV, também conhecida como fase assintomática, pode durar de alguns meses a alguns anos, e os sintomas clínicos são mínimos ou inexistentes. Os exames sorológicos para o HIV são reagentes e a contagem de linfócitos T CD4+ pode estar estável ou em declínio. 
Fase sintomática inicial: o portador pode apresentar sinais e sintomas inespecíficos de intensidade variável, além de processos oportunistas de menor gravidade (candidíase oral, linfadenopatia generalizada, diarréia, febre, astenia sudorese noturna e perda de peso superior a 10%). Há uma elevação da carga viral e a contagem de linfócitos T CD4+ já se encontra abaixo de 500 cel/ mm3.


Aids e Doenças Oportunistas: uma vez agravada a imunodepressão, o portador apresenta infecções oportunistas causadas por microrganismos não considerados usualmente patogênicos. No entanto, microrganismos normalmente patogênicos também podem, eventualmente, serem causadores de infecções oportunistas. Porém, nessa situação, as infecções necessariamente assumem um caráter de maior gravidade ou agressividade, para serem consideradas oportunistas. As doenças oportunistas associadas à AIDS são várias, podendo ser causadas por vírus, bactérias, protozoários, fungos e certas neoplasias.


Diagnóstico sorológico da infecção pelo HIV: a fim de maximizar o grau de confiabilidade na emissão dos laudos, bem como minimizar a ocorrência dos resultados falso-negativos ou falso-positivos, o Ministério da Saúde estabelece a obrigatoriedade de um conjunto de procedimentos seqüenciados. Em indivíduos, acima de 2 anos, os testes visam detectar anticorpos anti-HIV. Para crianças menores de 2 anos, considerando a possibilidade de anticorpos maternos, os testes visam a detecção do RNA ou DNA, viral ou cultura do vírus positiva. Para garantir a qualidade dos procedimentos e considerando a possibilidade de contaminação e/ou troca de amostra, bem como a necessidade de confirmação do resultado obtido, recomenda-se a coleta de nova amostra e a priorização da repetição do teste, no menor espaço de tempo possível. Em crianças menores de 24 meses, cuja exposição ao HIV não tenha sido a transmissão vertical, o diagnóstico laboratorial da infecção pelo HIV será confirmado, quando uma amostra de soro for repetidamente reativa em um teste para pesquisa anti-HIV (por ex. ELISA), e/ou presença de um teste repetidamente positivo para antígeno e/ou cultura positiva e/ou PCR. A amamentação, em qualquer período, é considerada como nova exposição ao HIV e, se ela acontecer, a criança deve ser submetida a nova rotina de diagnóstico da infecção pelo HIV.


Tratamento: visa prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida, pela redução da carga viral e reconstituição do sistema imunológico. O atendimento é garantido pelo SUS, por meio de uma ampla rede de serviços.


Vigilância Epidemiológica: A vigilância epidemiológica da aids, além de se basear em informações fornecidas pela notificação de casos (SINAN) e óbitos (SIM), possui dois sistemas particulares: Sistema de Controle de Exames Laboratoriais (SICEL) e Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (SICLOM). Os objetivos das ações de prevenção e controle do HIV/AIDS são prevenir a transmissão e disseminação do HIV e, conseqüentemente, reduzir a morbi-mortalidade associada à AIDS.

0 comentários:

 

Assine vc também!

Subscribe via email

Cadstre seu email:

Delivered by FeedBurner

Arquivo do blog

EnferNat Copyright © 2009 HTML by Ipietoon. Lay by Nat Viana