7 de março de 2010

Sífilis ou cancro duro

Sífilis é uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum que evolui lentamente em três estágios, caracterizada por lesões da pele e mucosas. Pode ser transmitida por contato sexual, configurando-se assim como uma DST, e mais raramente por contaminação feto-placentária.

 


Agente etiológico: O Treponema pallidum é uma bactéria com forma de espiral (em média dá 10 a 126 voltas) e tem cerca de 54 micrómetros de comprimento mas apenas 0,2 micrómetros de astro autura.

Sinonímia: A sífilis também é conhecida como lues (palavra latina que significa praga), cancro duro, avariose, doença-do-mundo, mal-de-franga, mal-de-nápoles, mal-de-santa-eufêmia e pudendagra, entre outros.

Epidemiologia: A sífilis é uma doença de importância mundial. Nos EUA os índices de sífilis primária e secundária (infecciosa) estavam no pico em 1947, diminuiram sensivelmente nos dez anos seguintes e depois aumentaram gradativamente durante as décadas seguintes até atingir o pico após a Segunda Guerra Mundial. Nos anos setenta a sífilis era uma doença predominantemente de homossexuais masculinos, mas o advento da AIDS e a prática subsequente de sexo mais seguro diminuiu a incidência de sífilis para a população heterossexual, fenômeno provavelmente causado pela prática de troca de sexo com múltiplos parceiros por drogas, particularmente crack e cocaína. A disseminação da sífilis adquirida na população heterossexual com menor facilidade de acesso ao tratamento médico tem evoluído paralelamente ao aumento de casos de sífilis congênita. Embora tenha havido um aumento real na incidência de sífilis congênita, um novo sistema de comunicação iniciado em 1989 aumentou artificialmente as cifras. Os indivíduos são infecciosos para seus parceiros sexuais durante o estágio primário e secundário, quando há lesões de pele e mucosas. As mulheres tendem a transferir a infecção para o feto durante os primeiros estágios da doença, quando têm espiroquetemia, mas a infecção do feto durante o período inicial de latência também é possível. 
 

Manifestações Clínicas: Sem ser tratada, a sífilis é uma doença crônica que se dissemina no organismo por via hematológica, podendo produzir manifestações em virtualmente todos os sistemas orgânicos. Os estágios infecciosos clinicamente manifestos da doença - sífilis primária e secundária - são eventos transitórios. Durante o período de latência, por definição, não há sinais clínicos de infecção, apesar da possibilidade de demonstração da presença do T. pallidum em alguns tecidos. A sorologia é o único método disponível para diagnóstico preciso durante essa fase da doença.

SÍFILIS PRIMÁRIA:

{short description of image}A primeira manifestação clínica da sífilis, o cancro, se desenvolve em média cerca de 3 semanas após a infecção (10-90 dias). O cancro surge no local onde ocorreu a primeira invasão cutânea do treponema, usualmente nos genitais ou nas suas proximidades. Ele pode no entanto ocorrer em qualquer região da pela ou das mucosas. Os cancros usualmente são únicos e indolores, salvo se houver superinfecção; por isso podem não ser percebidos pelo paciente se ocorrerem em regiões inacessíveis como o colo do útero, a faringe e o reto. É comum adenopatia genital indolor. Se não for tratado o cancro persiste por 2-6 semanas e regride sem deixar cicatriz. Ocasionalmente ocorre recidiva no mesmo local. Os espiroquetas móveis devem ser demonstráveis nos cancros não-tratados durante a maior parte da sua evolução. A demonstração pode ser difícil em lesões tardias em regressão e usualmente os espiroquetas desaparecem se o paciente aplicar medicação local ou tomar antibióticos. O cancro típico é endurecido, tem base limpa e bordas elevadas. A infecção secundária por bactérias ou até por herpes vírus ocorre ocasionalmente e pode tornar a úlcera um tanto atípica. O diagnóstico diferencial inclui cancróide, granuloma inguinal e, ocasionalmente, herpes. Os lábios e o funículo são as regiões onde é mais típica a ocorrência de cancros em mulheres. Cancros perianais, anais e retais ocorrem primariamente em homossexuais masculinos e em mulheres com história de sexo anal. As lesões isoladas são mais comuns mas cancros múltiplos primários não são incomuns. As lesões em regressão podem apresentar problemas para o diagnóstico, particularmente nas fases tardias, quando são negatibas ao campo escuro e a adenopatia pode não ser proeminente. A sífilis adquirida pode ocorrer em lactentes e crianças. Os cancros sifilíticos ocasionalmente pode ocorrer fora das regiões genitais, como os dedos e na cavidade oral.

SÍFILIS SECUNDÁRIA

O estabelecimento do estágio secundário da doença varia de 6 semanas a 6 meses após a infecção no paciente não-tratado. O cancro primário ainda pode estar presente quando surgem as lesões secundárias clinicamente aparentes. Nessa fase da doença os espiroquetas entram na corrente sanguínea a partir do foco linfonodo regional cutâneo e atingem a maioria dos órgãos e tecidos. Após um período de multiplicação, ocorrem sintomas gerais inespecíficos coomo febre, mal-estar, cefaléia, dor de garganta, artralgia e anorexia. Em mais de 50% dos casos há adenopatia generalizada. Também pode ocorrer hepatomegalia e ocasionalmente esplenomegalia. A hepatite luética é caracterizada por pequenas alterações nas enzimas hepáticas e grande aumento na fosfatase alcalina. Uma meningite aguda "tipo viral" pode complicar o quadro. Em cerca de 75% dos casos ocorre um exantema, algumas vezes chamado sifílide, de aspecto extremamente variável. Pode ser localizado ou generalizado. As sifílides generalizadas iniciais são máculas simétricas isoladas, hiperpigmentadas ou marrons. Essa erupção comumente se inicia no tronco. As máculas podem aumentar ou se tornar anulares; não há prurido ou descamação. À medida que a erupção progride, algumas máculas podem se tornar espessadas e papulares, de modo que a sifílide macular pode coexistir com as formas papulares. As sifílides papulares parecem ser mais comuns que as erupções maculares, talvez porque sejam mais fáceis de se ver. Se a doença permanecer sem tratamento por várias semanas as pápulas podem formar um colar fino de escalas que se destaca facilmente.
{short description of image}O acometimento frequente das regiões palmares e plantares pode ajudar na distinção da sífilis de outras dermatoses. Foram descritas muitas variedades de sifílides papulares incluindo, entre outras, os tipos pápulo-descamativo, anular, lenticular, ceratinosa, na qual as lesões parecem calos, psoriasiforme e framboesiforme. Lesões papulares hipertróficas e úmidas, o condiloma lato, ocorrem em regiões intertriginosas, como nas dobras genitais e no sulco interglúteo. Ocasionalmente podem se tornar hiperplásicas ou verrucosas, muito parecidas com o condiloma acuminado. Essas lesões também podem ser vistas em rgiões extragenitais. O condiloma lato usualmente é recoberto com exsudato acinzentado contendo numerosos espiroquetas, tornando essa lesão mais infecciosa que as outras sifílides secundárias. Outra variante da sífilis papular são as assim chamadas placas fissuradas encontradas na região retroauricular e nas comissuras bucais. Erosões superficiais inespecíficas da mucosa oral e genital, chamadas placas mucosas, são outras manifestações de sífilis secundária. Essas lesões arredondadas ou ovais se apresentam como placas acinzentadas ou despojadas na mucosa bucal ou labial, na língua no palato e nas tonsilas. Durante a sífilis secundária usualmente duram somente algumas semanas. Nos pacientes não tratados podem ocorrer recidivas, usualmente durante o primeiro ou segundo ano após a infecção, que são raras após o tratamento adequado com penicilina.

SÍFILIS LATENTE

Sífilis latente é o período de quiescência após o final do estágio secundário da doença, durante o qual não há manifestações clínicas. A história de exposição com teste sorológico reativo é o único meio de estabelecimento do diagnóstico. Não raro não se obtém história e nesse caso a sorologia positiva verdadeira deve ser diferenciada da falso-positiva. A latência é dividida em fases inicial e tardia. A latência inicial compreende o primeiro ano após a infecção secundária. Durante esse período é mais frequente a recidiva da doença secundária no paciente não-tratado. Durante a latência inicial ocasionalmente pode ocorrer infecção de um parceiro e a mulher grávida tem risco de transmitir a doença para o feto. O paciente na latência tardia (mais de 1 ano no período de latência) tem risco decrescente de transmissão para o parceiro e para o feto à medida que a latência progride.

SÍFILIS TARDIA

As manifestações tardias da sífilis são de três tipos principais: cardiovascular, gomas e meningovascular (nervosa). Essas manifestações em geral ocorrem décadas após a infecção, mas algumas das formas meníngeas e cerebrovasculares podem ocorrer dentro de um ano após a infecção inicial. O evento fisiopatológico comum de base parece ser endarterite e periarterite de vasos de pequeno e médio calibre

Diagnóstico:

Antes do advento do teste sorológico (sorologia de lues ou VDRL – acrónimo inglês para laboratório de investigação de doença venérea), o diagnóstico era difícil e a sífilis era confundida facilmente com outras doenças. O VDRL baseia-se na detecção de anticorpos não treponemais. É usada a cardiolipina, um antígeno presente no ser humano (parede de células danificadas pelo Treponema) e talvez no Treponema, que reage com anticorpos contra ela em soro, gerando reacções de floculação visível ao microscópio. Este teste pode dar falsos positivos, e são realizados testes para a detecção de anticorpos treponemais caso surjam resultados positivos. A espiroqueta não pode ser cultivada e é vista ao microscópio de fundo escuro ou com sais de prata em amostras. Contudo a sua baixa concentração significa que este teste não é útil no diagnóstico, dando muitos falsos negativos.
Identificar o contágio primário da Sífilis é fundamental para o bom prognóstico da doença. Se após 10 a 90 dias de uma relação sexual surgir espontaneamente uma ferida firme e dura na boca, no pênis, na vagina ou no reto, considere uma consulta médica com um urologista ou ginecologista como uma medida importante para a sua saúde. O cancro regride espontaneamente em período que varia de 4 a 5 semanas sem deixar cicatriz que pode induzir o paciente a acreditar que ele está curado, o que não é verdade.
Após o estágio primário, algumas vezes negligenciado pelo paciente ou simplesmente associado como uma conseqüência natural pelo contato sexual (na falta de informações amplas sobre a doença), a Sífilis entra na fase secundária. Dos pacientes tratados no estágio secundário, cerca de 25% deles não se lembram dos sinais do contágio primário. Nessa fase, diagnosticar a doença é extremamente difícil tanto para o paciente como para um médico. A Sífilis secundária, algumas vezes conhecida como uma doença de mil-faces, pode apresentar inúmeros sintomas comuns a várias outras doenças como febre baixa em alguns períodos, sudorese intensa ao dormir (infecção crônica e manchas avermelhadas pelo corpo. A Sífilis secundária também pode ocasionar episódios esporádicos de erupções ulcerativas na pele, de difícil regressão, episódios de otite, episódios de problemas oftalmológicos, episódios de problemas nos rins e episódios de problemas cardiovasculares que muitas vezes surgem e regridem sem a necessidade de nenhum tratamento específico. Outro sintoma importante são dores de coluna e dores de cabeça freqüentes, que podem ser indicativos de um quadro de neurossífilis. Caso muitos dos episódios como os indicados acima sejam concomitante freqüentes na sua saúde, novamente considere importante uma consulta médica.
Caso a Sífilis não seja identificada no seu estágio primário (10 a 90 dias) ou no seu estágio secundário (1 a 6 meses, mas que também pode perdurar por anos na sua forma latente ou assintomática), a Sífilis entra no estágio terciário. Nessa fase o diagnóstico é bem preciso mas várias seqüelas podem advir da doença.
Um método muito eficaz para o autodiagnóstico de Sífilis e de várias outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST's) é sempre estar atento à sua saúde e realizar testes laboratoriais rotineiros. No Brasil, os Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA's) permitem aos cidadãos realizar testes laboratoriais gratuitamente e receber informações e aconselhamento sobre as DSTs.

 

Tratamento:

A sífilis é tratável e é importante iniciar o tratamento o mais cedo possível, porque com a progressão para a sífilis terciária, os danos causados poderão ser irreversíveis, nomeadamente no cérebro.
A penicilina G é a primeira escolha de antibiótico. O tratamento consiste tipicamente em penicilina G benzatina durante vários dias ou semanas. Indivíduos que têm reações alérgicas à penicilina podem ser tratados efetivamente com tetraciclinas por via oral.

 ref. bibliográficas:

Manual de DST - Sífilis
 


 
 

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