14 de janeiro de 2011

Complicações da terapia IV

A terapia intravenosa é peremptória na maioria dos doentes institucionalizados e assume particular interesse para a classe de enfermagem, dado ser responsável pela sua escolha, manutenção e vigilância para prevenção das possíveis complicações associadas. Existe uma lista extensa de problemas associados à infusão venosa periférica, sendo as mais comuns o aparecimento de flebite, o rompimento de vasos, o extravasamento e a infiltração. Neste post, o Visão ENFernal pretende discutir os dois últimos, ficando o tema da flebite para abordar posteriormente.

São facilmente confundíveis e vulgarmente utilizados na gíria clínica como situações semelhantes, contudo tratam-se de conceitos bastante diferentes. Ambos referem a situações em que a solução não está a ser infundida para o espaço intravenoso, ocorrendo a sua passagem acidental para os tecidos adjacentes, possibilitando o aparecimento de danos. Se se tratar de uma solução não-vesicante, sem danos associados aos tecidos, chamamos a essa situação uma Infiltração. Embora comum, regra geral não provoca danos sérios ao portador de CVP quando em quantidades mínimas, sendo a solução reabsorvida com o tempo. Grandes infiltrações podem provocar lesões nervosas e síndrome de compartimento.
No caso da solução ser um vesicante, dentro dos quais salientam-se os quimioterápicos (vincristina, vinblastina…), bicarbonato de sódio, dopamina, esmolol e cloreto de potássio, poderá ocorrer lesões que vão desde a dor no local, a formação de vesículas, descamação do tecido e necrose tecidular extensa, o denominado Extravasamento.
O grau de lesão vai depender do agente químico, da sua concentração e quantidade, do local no corpo e do intervalo de tempo entre o reconhecimento do acidente e do momento em que aconteceu efectivamente. Concluindo, o extravasamento trata-se de uma situação bem mais grave do que a infiltração, apesar de ambas requererem especial atenção pelos Enfermeiros.




Para prevenção da infiltração é fundamental a optimização dos CVP e, segundo artigo publicado pela nurse.com, existe 2 tipos de mitos a serem banidos da prática de enfermagem:
1. Para a infusão de um vesicante não é fundamental um novo acesso periférico. Segundo o mesmo artigo, um novo acesso periférico não garante melhor segurança do que um anterior, desde que correctamente optimizado.
2. O retorno de sangue num CVP não é um critério seguro para confirmação do seu posicionamento, pelo que as guidelines apostam no flush da via com solução salina a 0,9% com pelo menos 20-30ml, observando no local a formação de tumefacção.
A prevenção é o método de eleição aceite pelos autores da bibliografia pesquisada, alertando para a monitorização apertada dos sinais de extravasamento, havendo quem preconize a avaliação das infusões de 15 a 30 em 30 minutos. Em caso de extravasamento, cada laboratório apresenta recomendações para manuseamento do químico em causa, contudo o enfermeiro deverá actuar perante as politicas hospitalares e recorrer aos serviços farmacêuticos para recolher apoio. A actuação varia de acordo com a situação, e poderá ser necessário:
Vigiar o local de extravasamento;
Aplicar frio ou calor, atendendo ao tipo de medicamento;
Aplicar antídotos, como é o caso do "dimetilsulfoxide" tópico, "dexrazoxane" intravenoso, tiossulfato de sódio ou o "hialuronidase" por via subcutânea;
Avaliar o grau de dano tecidular para ponderar cirurgia, em casos que o justifique;
Gerir analgesia.
Por estes motivos e por não haver tratamento específico para o extravasamento, a Infusion Nurse Society recomenda que agentes vesicantes deverão ser administrador via CVC. Contudo em situações em que tal não ocorra, o Enfermeiro deverá confirmar com clareza o correcto posicionamento do cateter, dado serem estes os responsáveis directos pelos acidentes causados pelas queimaduras químicas.
Para terminar, cito uma frase retirada do artigo “Avaliando Condutas na Preservação da Infusão Venosa no Doente Hospitalizado” publicado pela Profª. Noeli Marchioro Liston Andrade Ferreira e Enfa. Roseli Perpetua Marassi:


“É competência e responsabilidade do enfermeiro a administração de medicação por via endovenosa, o que lhe confere autonomia profissional e leva à necessidade de obter conhecimento técnico-científico sobre os mecanismos de administração de drogas utilizando esta via; conhecer as vias mais adequadas para obter um bom acesso venoso, adequado às necessidades da terapia prescrita pelo médico; utilizar fixações corretas para que haja uma vida mais longa do acesso venoso; identificar alterações locais decorrentes da infusão venosa e conhecer os efeitos adversos dos extravasamentos para garantir uma administração segura de medicamentos.”

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